Postagens

Mostrando postagens de 2012

Love is (not) enough

Disseram-me que tu bastavas, amor. Que eu era humana e tu me completarias por inteiro. Aprendi da pior maneira que tu não bastas, porque eu te tinha, amor... E mesmo assim tive que dizer adeus. Será que sou menos humana? Espero ansiosamente pelo dia em que a campainha da porta da frente não me estremeça as pernas. Tu me fizeste ver a vida tão incompleta que coloco flores no vaso e logo choro pois não sei para onde irá a beleza delas quando murcharem. Amor, sinto uma vontade imensa de entender tudo e na ânsia, limpo a casa todos os dias -mesmo quando não acho nem um milímetro de pó sequer- para que ela fique bonita para receber-te. Aqui dentro está doendo e espero um dia saber o por quê. Ah, por que tu transformas tudo em dor? Até em sua forma mais bonita, amor... Dói tanto. Justo comigo, que tenho essa mania de querer sentir tudo, te deixar ser o mundo em mim; essa urgência de gritar para todos que tu entrastes pela minha porta e que finalmente aqui vai ficar. É que tu és tão gran...

Desabafo

Imagem
Amanhã completo dezesseis primaveras e acho que ainda não me acostumei a crescer. Talvez ninguém se acostume, mas é que eu me sentia tão bem com quinze... Eu pensava, antes, que tinha "cabeça" a mais para a minha idade e a menos para aguentar as pressões do futuro. Aí quinze anos seria uma idade perfeita... Pena que eu a aproveitei, maldizendo. Meu maior medo, depois da morte, era não aproveitar a vida como eu queria. Deixar de realizar sonhos, crescer e não ser uma pessoa que eu mesma, quando pequena, gostaria de ser. Medo de não ser uma pessoa realizada. E por isso todos os meus arrependimentos batem a minha porta todos os dias e me impedem de seguir em frente. Era estranho, porém cotidiano, para mim ser tão intensa em tudo. Sofrer tanto, amar tanto, esperar tanto e logo depois maldizer tanto a vida por me decepcionar e não deixar que as coisas dessem certo para mim. Pós muitas tentativas de me abrirem os olhos, conseguiram me mostrar que eu vivo em um mundo de conto...

Moeda oval

Imagem
Me vejo mais uma vez em tons de cinza, não me acostumo, gostei tanto do céu azul recém pintado que estava acima de nós. Todas aquelas estrelas que iluminavam a madrugada e a lua, que só não era mais linda que seu sorriso... Eu que por vezes achei que meu pessimismo me salvaria das desilusões, tive uma que pode ser comparada com um salto de pára-quedas. Sem pára-quedas. É o preço que se paga por se jogar de cabeça levando em conta coisas que você apenas imagina... Dizem que seguir o coração é errado, mas o meu está sempre certo e eu nunca o escuto. Assustador o fato como eu senti tudo muito rápido. A felicidade, a paixão, a dor. E aí fica doendo e não passa, não passa, não passa... Me pego pensando em você nas vezes em que eu mais quero evitar. Tudo me lembra; cada canto da casa, da rua, de mim... Sinto seu cheiro quando você não está, ouço sua voz enrolada dizendo aquelas coisas que só você entende e logo depois você ri... sinto seu abraço em mim e vejo seu sorriso em todo o canto...

Gosto de "mais escuro"

Imagem
Senti o gosto de sol, mas já passou... Foi tão rápido, mas tão intenso. Me lembro como se fosse ontem. Aliás, o tempo anda passando rápido, isso não me agrada... Ficar cada vez mais velha, deixar mais coisas para trás, deixar a vida passar diante de meus olhos.  Relógios deviam ser proibidos de marcar os segundos, é como uma tortura ver todas as coisas se acabando, passando, crescendo. Morrendo... Não sinto mais o gosto do sol, o gosto agora fica cada vez mais escuro. Apesar de acenderem uma vela de tempos em tempos, pena que sempre venta... Sempre tive a opinião de que "mais escuro" não existe, só existe o escuro, que é a falta de luz. Ultimamente me sinto afundando cada vez mais, imersa em águas do "mais escuro" que eu já pude "ver". "Pequena, se lembra daquele ditado que diz que não se pode chorar porque acabou e sim sorrir por ter acontecido?" é coração... Tenho um sério problema em deixar as coisas irem. Me culpo pelo gosto do sol ...

Quase nasceu flor

Imagem
E mais uma vez o sol quase nasceu. A flor quase desabrochou, a chuva quase cessou e o mundo quase parou de girar ao contrário. Ainda que para mim eu estivesse num eterno dia de verão, eu estava só vivendo no nascer do sol, que mal raiou e já se pôs. Havia tempos em que eu, no meu mundo cor de nuvem de tempestade, implorava por um mínimo sol que nascesse, um brilho de estrela que fosse, cinco minutos embaixo dos raios de sol do meio-dia. Porém fui muito precipitada quando pensei que seria melhor. Quando se fica muito no nublado, os olhos doem de olhar para o sol. Aliás, ainda preciso aprender a fazer pedidos, a vida nunca entendeu como eu quis que entendesse... Nesse momento acho que prefiro o escuro do meu quarto, ele combina comigo por dentro. Meus olhos já até tinham se acostumado com a luz, o sorriso não deixava meu rosto, eu dormia com o brilho das estrelas e meu mundo tinha se enchido de cor da noite para o dia. Agora, meu corpo implora pelas chamas que me abraçavam e minha ...

Escuridão

Imagem
Foi como se um dia eu tivesse amarrado uma pedra em meus pés e me jogado ao oceano. Pouco a pouco eu me afogava e ao passar dos dias e meses, ficava mais difícil ver a luz do sol. A escuridão me trouxe medo e todos os barulhos ao meu redor me assustavam, tive que minuciosamente organizar até minha respiração pois não sabia o que me esperava. Me afogava mais com o passar do tempo, mas como o escuro não se mede, não foi perceptível o quão fundo eu já estava. Só sabia que a cada dia que passava, o temor aumentava e o medo até de me mexer era grande pois não sabia o que eu poderia tocar que estava ao meu lado o tempo todo. Era escuro, mas era perdido como névoa. Como se eu tivesse entrado numa neblina sem fim em que cada sombra me fizesse sentir borboletas no estômago. Em qualquer uma das formas, meu corpo todo estava numa posição só desde o início; não me atreveria a me mexer e ficar mais perto de sabe-lá-o-que estava ao meu redor. Por vezes sentia como algo tivesse desamarrado o fio...

Gosto de sol

Imagem
Maldizia o destino por atribuir tão má sorte ao que chamava de amor. Acordava com gosto de tarde de inverno em minha boca, tão fria e tão escura. Achava que devia gostar de dias nublados como gostam pessoas como eu, mas nunca me adaptei a viver em dias em que tudo é cinza. Há tempos não sentia gosto de sol e isso não era culpa do inverno. Maldizia o que nem mesmo acreditava existir e esperava que a vida trouxesse o que infelizmente também não existe. Queria eu acreditar que o destino me traria amor e me faria apaixonada, sem que eu precisasse esquecer meu rancor por ele. Acreditava em sorte, esperava que todos os pedidos feitos às estrelas cadentes e velas de aniversário se realizassem, sem que tivesse o pensamento mudado. Esperar as coisas acontecerem é como andar em um túnel escuro esperando que a luz venha até você. Eu nem mesmo estava andando... O gosto nublado não saía de minha boca e eu nem mesmo levantava da cama para beber algo. O quarto estava nublado como eu estava p...

Paralelepípedo cor-de-rosa

Imagem
Puxei o novelo de lã pelo meio e agora os fios deram nós e vou precisar ficar tempos somente desatando-os. Não queria desata-los, me lembra que damos nós que nos prendem a muitas coisas boas e a vida os desata. Dói. E por tempos a marca dos nós permanece. Entristece-me lembrar que nós fortes, depois de desatados, não desmarcam nunca mais. Não deixei que os nós feitos entre nós fossem fortes o suficiente pra marcar para sempre, só espero que não tenham amarrado com força distinta em um dos lados. Sinto muito por não sentir o suficiente, mas um dia sentiram pouco por não sentirem nada... E é nesse instante que me afogo nos pensamentos que normalmente me faziam flutuar e me sinto sozinha, mesmo estando cercada de pessoas que se importam. Talvez. Imploro por conselhos e por visões diferentes da situação, mas acabo que não sigo nenhum deles. Acho demasiada covardia da vida, nos obrigar a escolher caminhos que nos levam e não nos deixam voltar, especialmente porque, na maioria das ...

Hora do sol se pôr

Imagem
"Demasiado tarde pra lutar contra a maré" -pensei- Depois que me joguei ao mar, esqueci exatamente o motivo... Sou como o novelo de lã quando se puxa pelo meio, como um trançado com mais de três fios, como cordas gastas de violão emaranhadas no canto do quarto. Me perdi nesse (a)mar e embora pouco tempo nadando, já me sinto esgotada... A noite parece eterna e a escuridão incorporada em mim, ofusca até o brilho das estrelas. Nunca havia refletido sobre tamanha falta que o sol me faria. Já me sinto longe da praia pois nem posso mais escutar o canto das ondas quando tocam as areias. E me sinto completamente sozinha pois nem as espumas flutuam mais ao meu redor. Alguma coisa me disse que o dia ia amanhecer, olhei por entre as montanhas e lá estava uma pequena linha de luz no horizonte que quase me fez sorrir. Acordei. "Nem em sonho" -pensei- e pouco a pouco inundei meu pequeno quarto com águas levemente salgadas como as que escorriam dos meus olhos. O cômodo est...

Eu mereço?

Imagem
"Preciso aprender a fazer pedidos." Há um tempo, estava sentada na janela vendo o dia escurecer. Pensei ter visto uma estrela diferente e sem hesitar, fiz um pedido; um pedido daqueles bem absurdos, pra quem realmente não acredita em sorte... Esqueci que tinha feito tal pedido. Talvez, meu sub-consciente tenha me feito correr atrás do que eu havia desejado, ou foi só a sorte que achou que eu merecia. De qualquer jeito, aconteceu, e as coisas mudaram completamente. "Preciso aprender a fazer pedidos." Minha vida virou do avesso, e o avesso me pareceu o lado certo. Me senti a pessoa mais sortuda do mundo (mas afinal, eu acreditava em sorte?). Errei tantas vezes e não perdi nada, percebi que talvez eu merecesse e muito o que havia acontecido. Meu desejo realizado virou rotina e apesar de agradecer todas as noites, eu ainda esperava por coisas novas. Reclamava do amor. Ai o amor... (eu realmente não sou boa nisso) "Preciso aprender a fazer pedidos." Se...

Entre o sol e o mar

Imagem
Passei meses sentada e olhando o mar, vidrada e determinada a entender tudo o que acontecia com ele. O porquê das ondas, das marés, das águas salgadas, da cor azul... Mas o mar parecia não se importar com toda a minha curiosidade sobre ele. A cada dia que passava, eu descobria mais, e a vontade de entendê-lo completamente crescia como as espumas após as ondas. Espumas que flutuavam como meus pensamentos quando eu estava sozinha na beira da praia. Quanto mais eu passava a amar o mar, mais parecia que ele fugia de mim. Quando a maré baixava, eu me sentia tão distante do meu sonho, que meu corpo todo estremecia numa angústia sem tamanho; corria em direção ao mar, mas a maré só baixava mais, como se estivesse fugindo. Sentei, farta de correr e abri os braços o máximo que eu pude, como se quisesse abraçar todo o oceano, como se quisesse só pra mim... Parecia que ele só tinha ido para mais longe, e o pouco que eu consegui abraçar, já tinha escorrido por entre meus dedos. Talvez o mar rea...

Em tons de vermelho

Enquanto eu imaginava um novo texto sobre amores perdidos, olhei o relógio, 06h03. Abri a janela pra ver como estava o tempo. Lindo, eu diria. Ruas vazias em tons de vermelho, iluminadas somente pela lâmpada já gasta do poste de luz; sem barulhos, a não ser os galos já cantando; senti o calor do verão porém a brisa fria da manhã; o sol despontando no horizonte e ofuscando o vasto brilho do poste de luz. Me veio um pensamento: "Como queria eu, sorrir com tanta felicidade, tal qual ofuscasse o brilho do sol". Sorri. Não ofuscou nem mesmo a luz que iluminava a rua; apenas fez ela parecer mais forte do que realmente era. Fechei a janela. Procurei no quarto motivos para um sorriso que no mínimo, ofuscasse a luz do abajur que me acompanha nas leituras de Stephen King. Encontrei uma caneca vazia, com vestígios de leite e pensei "se fosse café, talvez eu sorriria"; nas paredes só haviam fotos antigas, de amizades que se foram para o bem, ou que deixaram saudades. Nada me f...

Chama. Me chama

Imagem
Foi como a chama de uma vela que se apagou com o leve sopro do vento, e ficou assim, apagada, por poucos segundos até que a calmaria tomou conta do lugar e a chama reapareceu sozinha, exatamente como antes, como se a rajada de vento nunca tivesse existido. Poucos segundos que pareceram horas, dias, que deram espaço para tantos sorrisos e sentimentos, que penso nunca haver me aborrecido tanto com uma calmaria. Eu que por vezes pedi por ela, não sabia que viria para reacender a chama que com tanto suor apaguei. E com a chama vem o medo. Volta. E os pensamentos em minha cabeça transbordam como água, esses que parecem que pegam meu corpo todo e comprimem, até não existir mais nada. Aquela angústia durante o medo, durante o simples ato de pensar, se limita em uma só palavra: dor. Como uma coisa dita tão bonita pode causar tanta dor? Não é o certo. Procuro os sorrisos que ofuscam a luz do sol, as borboletas que parecem estar por todos os cantos do estômago, os olhos que parecem brilhar...

Flutuaram

Imagem
Viajei com o corpo, esqueci de viajar com a alma. Meu pensamento ficou aqui, em você, e a promessa de pensar em saídas, foi por água abaixo. Sentei várias vezes na varanda pra ver a chuva cair, senti o cheiro de molhado e me lembrou que se eu olhasse pro céu, veria um arco-íris. Olhei, não vi. Meus pensamentos flutuaram para longe, fugiram de onde eu queria que eles estivessem. Eu os forçava a pensar em maneiras de me sentir melhor e eles se negavam a faze-lo. Todo o tempo me desesperava, pensei que sozinha, os pensamentos fluiriam mais fáceis e que uma resposta eu logo encontraria. "Não sejas tola, pequena" -disse meu coração a mim- "Quem muito procura, pouco encontra". E então eu esqueci; continuava sentada na varanda vendo a chuva cair, mas não pensava nada além de como tudo aquilo era bonito, e me esqueci totalmente que precisava de saídas. Sozinha, sem perceber, abri uma grande porta de fuga e encontrei o que eu estava procurando. Fugi daquela grande tempe...