Entre o sol e o mar
Passei meses sentada e olhando o mar, vidrada e determinada a entender tudo o que acontecia com ele. O porquê das ondas, das marés, das águas salgadas, da cor azul... Mas o mar parecia não se importar com toda a minha curiosidade sobre ele.
A cada dia que passava, eu descobria mais, e a vontade de entendê-lo completamente crescia como as espumas após as ondas. Espumas que flutuavam como meus pensamentos quando eu estava sozinha na beira da praia. Quanto mais eu passava a amar o mar, mais parecia que ele fugia de mim. Quando a maré baixava, eu me sentia tão distante do meu sonho, que meu corpo todo estremecia numa angústia sem tamanho; corria em direção ao mar, mas a maré só baixava mais, como se estivesse fugindo.
Sentei, farta de correr e abri os braços o máximo que eu pude, como se quisesse abraçar todo o oceano, como se quisesse só pra mim... Parecia que ele só tinha ido para mais longe, e o pouco que eu consegui abraçar, já tinha escorrido por entre meus dedos. Talvez o mar realmente não fosse pra mim.
Quando me levantei, pronta para deixar de vez o mar, olhei para o céu. Entre as marés, eu nunca tinha percebido o brilho do sol, que nascia e se punha, grande e brilhante, iluminando tudo a sua frente, iluminando o mar...
Me apaixonei perdidamente por todo aquele brilho, que parecia me abraçar por inteiro, e resolvi ficar. Não me importava mais o mar, nem me dava conta de que ele ainda estava lá. O sol, ao contrário do mar, parecia que me queria por perto, estava lá todo o tempo, e quando se punha, eu dormia, e quando acordava, ele já estava comigo novamente.
Os dias passaram e comecei a ouvir o barulho das ondas novamente, mesmo quando o sol estava brilhando. A maré subia como se quisesse competir com toda a grandiosidade do sol e me cobria, como se quisesse se redimir do abraço que não me deu...
Talvez o meu amor pelo mar não tivesse passado. Talvez o brilho do sol jamais comprará a imensidão azul. Talvez, talvez.
Comentários
Postar um comentário