Hora do sol se pôr

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"Demasiado tarde pra lutar contra a maré" -pensei- Depois que me joguei ao mar, esqueci exatamente o motivo...
Sou como o novelo de lã quando se puxa pelo meio, como um trançado com mais de três fios, como cordas gastas de violão emaranhadas no canto do quarto.
Me perdi nesse (a)mar e embora pouco tempo nadando, já me sinto esgotada... A noite parece eterna e a escuridão incorporada em mim, ofusca até o brilho das estrelas. Nunca havia refletido sobre tamanha falta que o sol me faria.
Já me sinto longe da praia pois nem posso mais escutar o canto das ondas quando tocam as areias. E me sinto completamente sozinha pois nem as espumas flutuam mais ao meu redor.
Alguma coisa me disse que o dia ia amanhecer, olhei por entre as montanhas e lá estava uma pequena linha de luz no horizonte que quase me fez sorrir.
Acordei.
"Nem em sonho" -pensei- e pouco a pouco inundei meu pequeno quarto com águas levemente salgadas como as que escorriam dos meus olhos.
O cômodo estava quase todo escuro como eu estava por dentro, se não fosse pelo vestígio de luz alaranjada que surgia nas frestas da janela.
"Não, pequena, você está fazendo o que é preciso"
Mas eu me neguei a escutar meu coração e apressei-me a abri-la.
"Devia tê-lo escutado" -pensei- "Já era a hora do sol se pôr"
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