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Mostrando postagens de maio, 2020

O amor não existe

Você não existir foi a melhor coisa que eu descobri. Não porque você não existir faz com que você automaticamente suma, mas o contrário. Você não existir faz com que você finalmente exista. Todo esse tempo você era literalmente o meu objeto de pesquisa, e eu fazia teses e mais teses pra defender que finalmente tinha descoberto quem você era. Essas teorias duravam muito pouco, mas não importava, porque o combustível do dia-a-dia era justamente essa procura, e não a verdade absoluta. Descobrir que você não existe talvez tenha matado um pouco da diversão de procurar respostas sobre como você funciona, que cor é seu cabelo e se você voa ou não. Mas, por outro lado, a sua não existência anula muito da angústia de você nunca caber. De você nunca ser. De eu nunca saber o que poderia ter sabido, se eu fosse melhor. Você não existir diz que eu nunca posso saber o que não sei. Que alívio. Você não existir, não quer dizer que você não possa existir, quer dizer que você não nasceu. Você nasce, ...

Sobre caixinhas, etiquetas e histórias de amor

Te falei da urgência que senti de falar sobre uma história de amor que já passou, né? Hoje não sinto mais essa urgência, mas ainda sinto vontade de falar de amor. Quando comecei a te escrever, há muitos anos, não sabia que escrevia pra você, achava que escrevia pra mim. E quando comecei a escrever pra você, conscientemente, não percebia que você sempre fui eu. Até hoje não sei onde termino eu e onde começa você, mas gosto assim. Escrevi pela ânsia de organizar, saber sentir, dar nome, explicar, provar. Aprendo diariamente a aceitar - de verdade - que nem tudo se explica, se organiza, faz sentido. O amor não é tão apegado a cronologia, como eu sou. Foi querendo que tudo fosse cronológico e arrumado em caixinhas muito bem etiquetadas, que perdi de fazer o que eu mais gosto: contar histórias de amor. Às vezes eu não estava num momento bom pra escrever, não saía bonito...Ou eu achava que não merecia ser escrito (u absurdo!). E aí, na mania de ser apegada à datas, o tempo passava e eu nã...

Pra te dar mais que só nome

Sinto uma urgência em te escrever, como se não tivessem passado mais de dois anos. Como se tivesse sido ontem. E talvez tenha sido mesmo. Parece que eu só posso te amar dentro das minhas regras. Regras malucas que eu não sei de onde vieram. Te amo se te escrevi. Te amo se doeu. Te amo se durou. Nunca te escrevi, mas fiz doer como quem cutuca uma ferida que não ia nem sangrar, e por isso provoca uma inflamação. Eu fiz doer e durar pra te (me) provar que te amei - e que te amava -, e te fiz sangrar mais do que o dobro do que você sangraria normalmente. Sinto uma urgência em te escrever, pra finalmente poder te amar direito. Queria colocar outra data nessa carta, pro amor parecer mais de verdade dentro das minhas regras estúpidas. Sinto uma urgência em te escrever como senti em te amar, quando te amei. Urgência que hoje faz muito sentido. Muito mais sentido do que fazia dois anos atrás. Na urgência de te escrever, tive que parar pra organizar memórias, coisas que eu queria contar com ...