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Mostrando postagens de janeiro, 2019

Sobre ansiedade, universo e Amor

Oi, amor. Hoje pensei em enviar uma carta a mim mesma, mas eu queria que ela fosse mais bonita do que eu sou capaz de escrever nesse momento. Queria que a carta fosse um abraço ao eu que sofreu sozinha toda aquela dor, mas hoje eu ainda sinto aquela mesma ave comendo meu fígado eternamente. Não poderia falar nada que fosse me ajudar a sentir melhor. Nem hoje, nem 8 anos atrás. Bom, há uns meses, descobri a existência de pessoas no mundo que gostam de falar tanto sobre você, quanto eu. E descobri também que existem teorias e até profissões pra isso. Pensei em unir o útil ao agradável e, enquanto estava reconstruindo minha casa, comecei a ler um pouco sobre você, com os olhos de outras pessoas. Li porque, por mais que eu quisesse muito derrubar aquelas paredes de madeira em cima de mim, eu não conseguia, e minha única opção era procurar algum motivo pra continuar erguendo aquela construção. Eu precisava de algo que me explicasse, minimamente, porquê minha casa tinha caído e, de quebr...

Poeta do impossível

Eu tô lendo um livro que se chama "Elogio ao amor". Confesso que invejei a criatividade que o autor teve de pensar nesse título, ele é simplesmente perfeito pra resumir meus escritos. E, bom, os dele também. As coisas que eu leio sempre vêm pro que eu escrevo, mas de uma forma muito sutil. No máximo uma linhazinha pontuando que "ah, vi esse negocinho aqui e me fez pensar", mas nesse caso, foram muitas as sensações importantes que eu queria te contar. Freud fala sobre uma coisa que se chama "ato falho". Foi uma das primeiras coisas que eu aprendi sobre psicanálise e é engraçado, porque você começa a realmente reconhecer ele no seu dia-a-dia - mesmo quem não gosta de Freud. Ato falho é um erro no que a gente fala, entende, ou faz, que na verdade não é um erro propriamente dito, é o nosso inconsciente falando. No meio de um dos capítulos, tinha uma frase assim: “O encontro amoroso é isso: você sai em busca do outro para fazê-lo existir com você, tal como e...

Vento solar e estrelas do mar

Oi, amor. Essa é uma das cartas mais difíceis que eu já escrevi. Tem muitos anos que te escrevo, e nesse tempo todo, tive épocas bem compridas em que nada saía de mim, mesmo que eu quisesse muito escrever. Mas, todas essas vezes, as palavras não saíam porque elas doíam como queimadura.. dessa vez, acho que as palavras não saem porque nem nos meus sonhos mais floridos eu pensei em você vindo desse jeitinho. Você sabe que gosto de te escrever pra organizar as coisas aqui dentro, muito mais do que realmente te dizer alguma coisa.. e dessa vez não vai ser diferente. Você me vê melhor do que eu mesma e eu fico aqui imaginando você lendo todas as cartas com aquela cara de quem já sabia e só estava esperando eu perceber. Mas sei que no fundo, mesmo que você já saiba de tudo, é bom me ver descobrindo também. Nesse último ano eu reli as cartas mais antigas que te escrevi e isso era uma coisa que eu evitava até pensar em fazer. Sempre tive a visão de que elas eram dramáticas demais e...