Gosto de sol
Maldizia o destino por atribuir tão má sorte ao que chamava de amor. Acordava com gosto de tarde de inverno em minha boca, tão fria e tão escura. Achava que devia gostar de dias nublados como gostam pessoas como eu, mas nunca me adaptei a viver em dias em que tudo é cinza. Há tempos não sentia gosto de sol e isso não era culpa do inverno. Maldizia o que nem mesmo acreditava existir e esperava que a vida trouxesse o que infelizmente também não existe. Queria eu acreditar que o destino me traria amor e me faria apaixonada, sem que eu precisasse esquecer meu rancor por ele. Acreditava em sorte, esperava que todos os pedidos feitos às estrelas cadentes e velas de aniversário se realizassem, sem que tivesse o pensamento mudado. Esperar as coisas acontecerem é como andar em um túnel escuro esperando que a luz venha até você. Eu nem mesmo estava andando... O gosto nublado não saía de minha boca e eu nem mesmo levantava da cama para beber algo. O quarto estava nublado como eu estava p...