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Mostrando postagens de 2019

Foi tão bom, que nem durou. Será que o tempo errou?

Eu amava quando você me fazia cócegas. E eu odeio que me façam cócegas. A primeira vez que você fez, foi porque me viu chorar e não sabia mais como me animar, só queria me fazer sorrir. E fez. No auge daquela angústia de estar triste e ainda, sentindo as cócegas, eu ri. E vi nos seus olhos um amor muito bonito, que eu não tinha percebido em nenhum outro momento. Sempre que você tinha a chance, você me fazia cócegas. E sempre que eu ria, eu via aquele mesmo amor nos seus olhos. Eu aceitei as cócegas, coisa que eu odeio, pra te ver me amar. E eu aceitaria mil vezes. Infelizmente, um dia desses você acertou seu relógio. E como num insight, você voltou pra Terra e passou a viver nas horas do resto do mundo. Você esqueceu de me levar junto e eu, que já tava me acostumando a contar as horas com seu relógio errado, fiquei perdida no tempo. Amor, não é de hoje que te conto como eu me escondo quando te exploro. Eu deixo sua imensidão ser toda a beleza da galáxia que nós somos e fico ali,...

Uma semana e meia

Seu rosto novo usa um relógio que marca as horas erradas. Erradas porque não são as mesmas horas que os outros relógios marcam, nem as horas que o resto do mundo escolheu pra funcionar. Eu ri quando percebi isso, disse que você gostava do estilo de andar com o relógio mesmo que ele fosse inútil, mas não pensei que a gente realmente não precisa viver sob as horas que o resto do mundo decidiu viver. Faz dez dias, e eu nunca contei tanto os segundos como contei nessa semana e meia. Como se eu quisesse me agarrar no tempo mesmo com você gritando pra mim que ele não influenciava em absolutamente nada do que estava vibrando entre a gente. Eu sempre te escrevo pra dizer que o tempo não tem grandes ligações com como você me faz sentir cada vez que vem, mas eu sei que, como todas as outras coisas, te escrevo pra me fazer acreditar, porque sozinha não acredito. Gosto de dizer que você é a supernova que eu carrego comigo e que é você que explode lindo de encher os olhos e fica cada vez mai...

É sempre sobre nós

Oi, amor. Sei que você vai rir ao receber essa carta porque faz tão pouco tempo que te escrevi a última e queria dizer tantas coisas diferentes do que te disse esses dias. Mas vou ficar feliz se você rir, é sempre a minha coisa preferida em você. Tentar te conhecer é uma batalha diária que eu nunca venço e, sinceramente, talvez seja exatamente isso que eu gosto em você. Dessa vez, não te entender foi a melhor coisa que me aconteceu. Depois que eu te escrevi a última carta e achei que tinha te entendido, aqui dentro deu uma tempestade que eu achei que ia derrubar minhas paredes e destruir tudo. Você sabe que desde que aquele furacão passou por aqui, eu morro de medo de perder minha casa de novo, e sempre acho que não vou conseguir controlar a chuva que eu preciso pra limpar e vou acabar causando uma catástrofe por aqui. Por medo de não controlar a chuva, eu não fiz chover por muito tempo e toda a sujeira me causou uma alergia que me deixou até meio tonta. Mas eu fui corajosa, fiz ch...

Eu sempre tive medo de admitir

Oi, amor Imagino que você deve ter percebido há muito tempo, mas eu sempre te escrevi pra te entender. E sempre acabo achando que te entendi, em algum momento. Quando você morou aqui, eu achei que tinha te entendido, e quis negar todas as vezes que te senti antes disso, cheia de certeza que você só tinha aquele rosto verdadeiro. Depois disso, eu vi que você nunca mais viria daquela forma, e não vir daquela forma, não queria dizer que você nunca mais viria, então isso queria dizer que você tinha muitas formas. Deduzi que tudo o que vinha, era você. Mas nem tudo o que vem, é você. E eu descobri isso porque você se mostra no que você deixa aqui. Têm rostos que bateram na porta e eu jurei que eram seus, mas não deixaram sujeira nenhuma aqui dentro. Você não é assim. Você vem e deixa um pouco - e também leva um pouco - mas nem todas as vezes é sujeira que você deixa pra trás. Seu rosto que morou aqui deixou seu cheiro, invés de sujeira, e ele nunca mais saiu de mim - nem quando eu mu...

20/02/2019

Dói te escrever isso, mas incrivelmente, dói muito menos do que eu pensei. Eu escrevo porque escrever pra você é como escrever pra mim, da mesma forma que senti ontem, quando te perdi, que tinha perdido um pedaço de mim. Te perdi no aniversário do meu irmão, dia em que eu celebro o maior amor da minha vida. Essa coincidência estranha também faz sentido quando por vezes, ultimamente, tento escrever algo triste pra você e não consigo. Ontem, quando te perdi, senti minha casa toda caindo e eu tinha certeza que eu teria que reconstruí-la de novo do zero. Senti dores em partes do corpo que eu achei que não existiam e tinha certeza que tinha desaprendido a respirar. Eu tinha uma carta linda toda pronta na minha cabeça, só faltava te escrever. Eu tinha achado, finalmente, a metáfora perfeita e dessa vez, você era o ar. E tinha toda aquela coisa de me fazer respirar e das tempestades e de estar sempre lá mesmo quando eu não podia te ver. Ia ser uma carta muito bonita, mas você foi embora ant...

Sobre ansiedade, universo e Amor

Oi, amor. Hoje pensei em enviar uma carta a mim mesma, mas eu queria que ela fosse mais bonita do que eu sou capaz de escrever nesse momento. Queria que a carta fosse um abraço ao eu que sofreu sozinha toda aquela dor, mas hoje eu ainda sinto aquela mesma ave comendo meu fígado eternamente. Não poderia falar nada que fosse me ajudar a sentir melhor. Nem hoje, nem 8 anos atrás. Bom, há uns meses, descobri a existência de pessoas no mundo que gostam de falar tanto sobre você, quanto eu. E descobri também que existem teorias e até profissões pra isso. Pensei em unir o útil ao agradável e, enquanto estava reconstruindo minha casa, comecei a ler um pouco sobre você, com os olhos de outras pessoas. Li porque, por mais que eu quisesse muito derrubar aquelas paredes de madeira em cima de mim, eu não conseguia, e minha única opção era procurar algum motivo pra continuar erguendo aquela construção. Eu precisava de algo que me explicasse, minimamente, porquê minha casa tinha caído e, de quebr...

Poeta do impossível

Eu tô lendo um livro que se chama "Elogio ao amor". Confesso que invejei a criatividade que o autor teve de pensar nesse título, ele é simplesmente perfeito pra resumir meus escritos. E, bom, os dele também. As coisas que eu leio sempre vêm pro que eu escrevo, mas de uma forma muito sutil. No máximo uma linhazinha pontuando que "ah, vi esse negocinho aqui e me fez pensar", mas nesse caso, foram muitas as sensações importantes que eu queria te contar. Freud fala sobre uma coisa que se chama "ato falho". Foi uma das primeiras coisas que eu aprendi sobre psicanálise e é engraçado, porque você começa a realmente reconhecer ele no seu dia-a-dia - mesmo quem não gosta de Freud. Ato falho é um erro no que a gente fala, entende, ou faz, que na verdade não é um erro propriamente dito, é o nosso inconsciente falando. No meio de um dos capítulos, tinha uma frase assim: “O encontro amoroso é isso: você sai em busca do outro para fazê-lo existir com você, tal como e...

Vento solar e estrelas do mar

Oi, amor. Essa é uma das cartas mais difíceis que eu já escrevi. Tem muitos anos que te escrevo, e nesse tempo todo, tive épocas bem compridas em que nada saía de mim, mesmo que eu quisesse muito escrever. Mas, todas essas vezes, as palavras não saíam porque elas doíam como queimadura.. dessa vez, acho que as palavras não saem porque nem nos meus sonhos mais floridos eu pensei em você vindo desse jeitinho. Você sabe que gosto de te escrever pra organizar as coisas aqui dentro, muito mais do que realmente te dizer alguma coisa.. e dessa vez não vai ser diferente. Você me vê melhor do que eu mesma e eu fico aqui imaginando você lendo todas as cartas com aquela cara de quem já sabia e só estava esperando eu perceber. Mas sei que no fundo, mesmo que você já saiba de tudo, é bom me ver descobrindo também. Nesse último ano eu reli as cartas mais antigas que te escrevi e isso era uma coisa que eu evitava até pensar em fazer. Sempre tive a visão de que elas eram dramáticas demais e...