Um dia eu me vi soterrada em responsabilidades. Responsabilidades que não eram minhas, mas que tavam se acumulando ali há muito tempo. Só deixei acumular porque achei que talvez elas fossem minhas, sim. Quem eu achava que era pra dizer que não eram? E as primeiras responsabilidades acabaram sendo bem cuidadas e acomodadas pertinho de mim. Porque era melhor do que ficar sozinha. Aí, toda vez que chegava uma responsabilidade nova ficava mais difícil de dizer que não era minha, já que todas as outras eram. Algumas delas chegavam com uma espécie de laço e eu até agradecia. Eram tantas, que passaram a me sufocar, mas eu nem percebia direito, porque já tava acostumada a viver respirando pouco ar. Eu nem sabia que os presentes eram, na verdade, responsabilidades. Eu esperava receber um presente sem saber direito o que era, e como não sabia, a responsabilidade vinha e eu acabava agradecendo. Quando a gente não sabe direito o que quer receber, a gente aceita o que chega com lacinho. E quan...
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