Desabafo
Amanhã completo dezesseis primaveras e acho que ainda não me acostumei a crescer. Talvez ninguém se acostume, mas é que eu me sentia tão bem com quinze... Eu pensava, antes, que tinha "cabeça" a mais para a minha idade e a menos para aguentar as pressões do futuro. Aí quinze anos seria uma idade perfeita... Pena que eu a aproveitei, maldizendo.
Meu maior medo, depois da morte, era não aproveitar a vida como eu queria. Deixar de realizar sonhos, crescer e não ser uma pessoa que eu mesma, quando pequena, gostaria de ser. Medo de não ser uma pessoa realizada. E por isso todos os meus arrependimentos batem a minha porta todos os dias e me impedem de seguir em frente.
Era estranho, porém cotidiano, para mim ser tão intensa em tudo. Sofrer tanto, amar tanto, esperar tanto e logo depois maldizer tanto a vida por me decepcionar e não deixar que as coisas dessem certo para mim.
Pós muitas tentativas de me abrirem os olhos, conseguiram me mostrar que eu vivo em um mundo de conto-de-fadas mesmo achando que tinha deixado isso para trás há anos. Nunca me acostumei com as pessoas imperfeitas, meus olhos não veem imperfeições. Não aceito as pessoas ruins, não vejo maldade, espero muito de pessoas que podem me dar pouco.
Ultimamente vivo num eterno dilema, onde eu vejo todas as flores murcharem por onde eu passo, as nuvens negras me seguem, o aleatório do ipod só toca músicas tristes e meu mundo se acostumou a girar ao contrário.
Nas minhas terapias de banho, onde converso comigo mesma, as coisas parecem ser simples e parece que já achei uma saída. O problema é você.
Ah, escrever sobre você de novo? Tenho até vergonha, não suporto mais... É horrível ter que conviver com essa paixão intensificada que eu crio sem querer, percebi que eu criei e você nem mais se importa se eu estou bem e alguma coisa ainda a alimenta.
Quando penso bem, acho saídas para quase tudo porém tento não pensar em você; sei que ao ver o seu sorriso, minhas pernas tremerão e tudo o que eu pensei fazer sentido será automaticamente deletado de mim. Acho que não adianta procurar soluções para o que eu sinto.
Fujo do pensamento até onde eu posso, mas quando acordo você é a primeira pessoa que vem na minha mente e, diferente de antes, o sentimento da manhã é tristeza profunda por tantos dias consecutivos que nem me lembro mais. É aquela história, quando você está aqui, o mundo pode cair ao meu lado, mas quando você não está, coloco lentes cor de névoa e desaprendo a retirá-las.
Maldigo a mim, hoje. Mesmo quando eu achei que tinha amadurecido, eu via o mundo com os olhos de criança e o mundo me via como se eu já fosse capaz de aguentar de tudo. Já dizia Lenine, "Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma... A vida não para.". E aí eu percebi que na maioria das vezes ninguém me decepcionou, eu apenas esperei muito das pessoas, eu mesma me decepcionei o tempo todo.
Sei que a vida toda é um aprendizado, mas não aguento mais cair de cara no asfalto para aprender a crescer; amores não-correspondidos, falsas amizades, ódio por toda a parte, o mundo todo cobrando uma pessoa que eu não sei ser. Eu não cresci, não sei crescer... Talvez demore um pouco mas eu aprenda esperar menos das pessoas, saber quem é verdadeiro, me apegar menos, enxergar imperfeições... Mas sempre que penso em mudar, não me vejo mudando. Eu sei, estranho... Mas quase dezesseis anos que eu sou a mais bobinha e mais boazinha pessoa desse mundo e não sei ser de outro jeito.
Me lembrei agora de quando você disse que eu merecia um lugar enorme no céu por ser tão boazinha e que as coisas iam voltar triplicadas pra mim. Fiquei feliz por você me admirar, mas ao mesmo tempo você se fez motivo da mudança.
Lembrando assim, é inacreditável que você tenha me decepcionado (no caso, que eu tenha me decepcionado), mas eu tenho que aceitar meus olhos cegos. Te vejo como você não é, perfeito. E essa minha intensidade toda tirou você de mim, nem tempo tive de mostrar que eu podia ser diferente, outra vez...
E de novo escrevendo sobre você, eu devia ter vergonha de deixar meu mundo orbitar em ti.
Sei que o tempo é como um oceano, só temos algumas gotas de água em nossas mãos; mas como disse, a vida cobra de nós e tenho que planejar meu futuro. Quase dezesseis e tenho que parar de ser intensa, ver as coisas como são, ser mais leve e ainda estudar pra ser alguém um dia quando tudo depender só e somente de mim.
Me sinto apenas uma criança, totalmente dependente de todos e vendo o mundo com olhos coloridos; esperando tudo de todos e tendo tudo de volta. E que fase boa essa que nós não crescemos, nunca parei para pensar sobre isso. Percebe-se como não cresci...

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