Paralelepípedo cor-de-rosa



Puxei o novelo de lã pelo meio e agora os fios deram nós e vou precisar ficar tempos somente desatando-os.
Não queria desata-los, me lembra que damos nós que nos prendem a muitas coisas boas e a vida os desata. Dói. E por tempos a marca dos nós permanece.
Entristece-me lembrar que nós fortes, depois de desatados, não desmarcam nunca mais.
Não deixei que os nós feitos entre nós fossem fortes o suficiente pra marcar para sempre, só espero que não tenham amarrado com força distinta em um dos lados.
Sinto muito por não sentir o suficiente, mas um dia sentiram pouco por não sentirem nada...
E é nesse instante que me afogo nos pensamentos que normalmente me faziam flutuar e me sinto sozinha, mesmo estando cercada de pessoas que se importam. Talvez.
Imploro por conselhos e por visões diferentes da situação, mas acabo que não sigo nenhum deles. Acho demasiada covardia da vida, nos obrigar a escolher caminhos que nos levam e não nos deixam voltar, especialmente porque, na maioria das vezes, não temos discernimento o suficiente para escolher o caminho certo. Eu não tenho... Escolho e desisto dos caminhos tantas vezes, e todas elas, me machuco... Por isso que eu prefiro tanto andar sozinha; é horrível o peso de cair e machucar outra pessoa também.
Mas não tenho tempo de pensar sobre mais nada... Vou sentar e desatar os nós pouco a pouco, com cuidado pra não deixar marca nenhuma e quem sabe, enrolar o novelo de lã com tanto cuidado que ele nunca mais vai emaranhar.

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