Escuridão
Foi como se um dia eu tivesse amarrado uma pedra em meus pés e me jogado ao oceano. Pouco a pouco eu me afogava e ao passar dos dias e meses, ficava mais difícil ver a luz do sol.
A escuridão me trouxe medo e todos os barulhos ao meu redor me assustavam, tive que minuciosamente organizar até minha respiração pois não sabia o que me esperava. Me afogava mais com o passar do tempo, mas como o escuro não se mede, não foi perceptível o quão fundo eu já estava. Só sabia que a cada dia que passava, o temor aumentava e o medo até de me mexer era grande pois não sabia o que eu poderia tocar que estava ao meu lado o tempo todo.
Era escuro, mas era perdido como névoa. Como se eu tivesse entrado numa neblina sem fim em que cada sombra me fizesse sentir borboletas no estômago. Em qualquer uma das formas, meu corpo todo estava numa posição só desde o início; não me atreveria a me mexer e ficar mais perto de sabe-lá-o-que estava ao meu redor.
Por vezes sentia como algo tivesse desamarrado o fio que prendia meus pés a pedra e eu -sem nadar- subia à superfície, amando a luz do sol. Meus olhos doíam, não aguentavam a claridade, e a escuridão me puxava como um buraco-negro que suga tudo ao seu redor.
Em pouco tempo, estava eu na estaca zero. No escuro, na neblina. Não sentia meu corpo, ele não se mexia. De tempos em tempos sentia como se alguém estivesse ao meu lado, uma respiração, um sussurro, mas ao mesmo tempo estava tão distante.
Todos os dias, sonhava em ser como uma pena, leve, que vai na direção que o vento for. Que caia no mar e seja levada pouco a pouco pelas espumas. Deitar de barriga para cima e só ver a beleza azul do céu. Sonhava em abrir os braços em um lugar alto e sentir o vento no rosto, a sensação de liberdade, como se nada mais no mundo importasse. Queria poder sonhar com coisas impossíveis e tentar fazer acontecer, sem medo do que estava ao meu lado. Ter apenas uma vela que iluminasse toda aquela escuridão que me comia e não me deixava sair.
Quisera eu ser apenas uma espuminha e flutuar calmamente para onde a vida quisesse me levar...
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