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Mostrando postagens de junho, 2018

Laranja

Escrevo essa carta e sinceramente, não sei pra quem. Pensei, a princípio, em escrever para a tristeza, mas não foi por causa dela que meus olhos inundaram. Quando eu li a carta que escrevi para o amor, há um ano, minha vista ficou embaçada de tantas lágrimas que quiseram correr ao mesmo tempo. Foi de dor. Dor da perda. Mas perda doída, de desespero, e não de tristeza. Quando aquela carta foi escrita, recebida e lida milhões de vezes, a sensação era a melhor que eu já tinha tido. Minha casinha se enchia de um sol quentinho que me abraçava e uma brisa dizia que eu estava no lugar certo, na hora certa e que eu era eu. Não sei em que momento esse sol deixou de aparecer, mas veio uma tempestade diferente de todas que já tinham aparecido por lá. Invés de só bagunçar a casa, como era de costume, essa tempestade arrancou o teto, derrubou as paredes, levou os móveis, as roupas, as plantinhas da varanda. Não sobrou nada. Eu fiquei perdida nos escombros por um tempo -que eu realmente não consegu...

Me desconheci

Querido amor, Faz um ano que não te escrevo e dessa vez sei que não é por preguiçoso e nem por covarde. A verdade é que nesse ano me perdi e no meio de tanta bagunça eu não conseguia pensar em te escrever. Sabe, colocar em palavras o caos às vezes dói mais do que só vivê-lo dia após dia -e foi isso que eu fiz: vivi-. Em algum momento, que não sei direito qual foi, eu mudei de endereço; ainda moro numa casinha de madeira com varanda, mas ela é de outra cor e em outra rua. Por dentro, os cômodos são bem diferentes e quase todos os móveis são novos, alguns só que eu trouxe comigo da antiga casa, mas talvez nem eles você reconheça. Se me perguntar o que eu acho da cor da casa ou dos móveis novos, eu não sei... A rua nova tem bons vizinhos, mas a antiga também tinha. À tarde pega um sol bonito na janela da sala; na outra casa, também batia um sol quentinho. Sei que faz sentido estar aqui agora, mas não sei muito mais do que isso. Escrevo pra te dar meu novo endereço e dizer que se quiser ...