Laranja
Escrevo essa carta e sinceramente, não sei pra quem. Pensei, a princípio, em escrever para a tristeza, mas não foi por causa dela que meus olhos inundaram. Quando eu li a carta que escrevi para o amor, há um ano, minha vista ficou embaçada de tantas lágrimas que quiseram correr ao mesmo tempo. Foi de dor. Dor da perda. Mas perda doída, de desespero, e não de tristeza. Quando aquela carta foi escrita, recebida e lida milhões de vezes, a sensação era a melhor que eu já tinha tido. Minha casinha se enchia de um sol quentinho que me abraçava e uma brisa dizia que eu estava no lugar certo, na hora certa e que eu era eu. Não sei em que momento esse sol deixou de aparecer, mas veio uma tempestade diferente de todas que já tinham aparecido por lá. Invés de só bagunçar a casa, como era de costume, essa tempestade arrancou o teto, derrubou as paredes, levou os móveis, as roupas, as plantinhas da varanda. Não sobrou nada. Eu fiquei perdida nos escombros por um tempo -que eu realmente não consegu...