Quase nasceu flor


E mais uma vez o sol quase nasceu. A flor quase desabrochou, a chuva quase cessou e o mundo quase parou de girar ao contrário. Ainda que para mim eu estivesse num eterno dia de verão, eu estava só vivendo no nascer do sol, que mal raiou e já se pôs.
Havia tempos em que eu, no meu mundo cor de nuvem de tempestade, implorava por um mínimo sol que nascesse, um brilho de estrela que fosse, cinco minutos embaixo dos raios de sol do meio-dia. Porém fui muito precipitada quando pensei que seria melhor. Quando se fica muito no nublado, os olhos doem de olhar para o sol. Aliás, ainda preciso aprender a fazer pedidos, a vida nunca entendeu como eu quis que entendesse...
Nesse momento acho que prefiro o escuro do meu quarto, ele combina comigo por dentro.
Meus olhos já até tinham se acostumado com a luz, o sorriso não deixava meu rosto, eu dormia com o brilho das estrelas e meu mundo tinha se enchido de cor da noite para o dia.
Agora, meu corpo implora pelas chamas que me abraçavam e minha única vontade é me afogar -bem fundo- em águas salgadas.
O mar, tão cruel, me parecia menos doloroso. Mas talvez meu corpo já não sobreviva só de ondas, talvez a necessidade que eu sinto dos raios seja real... Pena que o sol nunca iluminou minha vida por inteiro.
"Ei", meu coração gritou, "em dor não nasce flor, pequenininha..."
"Faça do escuro do seu quarto o seu próprio sol e os raios reais vão invadir as frestas da sua janela."

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