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Mostrando postagens de novembro, 2022
Eu já fui um nada perdido em névoa. Um nada que era algo, mas que por não ter nome, não podia ser. Um sem nome que era todo medo, mas que era algo a mais do que o medo. E por não saber o que era, não podia chamar. Eu já fui alguém, quando preferia ser qualquer outra coisa que não ela. Que eu me vomitava em flores pra ver se me esvaziava de mim. Eu já fui você. Fui tanto você, que você não se era mais. E nem eu. E depois eu fui uma casa que eu não construí. Fui uma casa enorme com cômodos mal planejados como um labirinto. Eu fedia a mofo e flores que eu vomitei. Um dia derrubaram a casa que eu era e eu fui escombros. Me retiraram antes que eu pudesse ser algo além de um terreno baldio. De forças que eu tinha quando descobri pernas, eu fui andante. Andava à procura de mim, como se eu fosse me brilhar em algo. Fosse saber que era, quando encontrasse. Me construí num terreno à venda. Ainda casa. Planejada pra durar assim, imutável.  Fui laranja, de madeira, com teto de vidro pra ver o ...