Poeta do impossível
Eu tô lendo um livro que se chama "Elogio ao amor". Confesso que invejei a criatividade que o autor teve de pensar nesse título, ele é simplesmente perfeito pra resumir meus escritos. E, bom, os dele também.
As coisas que eu leio sempre vêm pro que eu escrevo, mas de uma forma muito sutil. No máximo uma linhazinha pontuando que "ah, vi esse negocinho aqui e me fez pensar", mas nesse caso, foram muitas as sensações importantes que eu queria te contar.
Freud fala sobre uma coisa que se chama "ato falho". Foi uma das primeiras coisas que eu aprendi sobre psicanálise e é engraçado, porque você começa a realmente reconhecer ele no seu dia-a-dia - mesmo quem não gosta de Freud. Ato falho é um erro no que a gente fala, entende, ou faz, que na verdade não é um erro propriamente dito, é o nosso inconsciente falando.
No meio de um dos capítulos, tinha uma frase assim: “O encontro amoroso é isso: você sai em busca do outro para fazê-lo existir com você, tal como ele é”, e eu li "você sai em busca do outro para fazê-lo existir em você". Eu só percebi que tinha lido errado quando fui, emocionada, ler pra um amigo dizendo "olha essa frase, é incrível". Ela é mesmo incrível pro que eu sinto sobre você.
Um dia desses, a gente se abraçou embaixo dum céu muito estrelado e a gente se demorou muito naquele abraço. Não tinha nenhuma coisa no mundo além da gente naquele momento e aquilo, pra mim, foi existir um no outro. Acredito que as nossas memórias dos fatos têm muita ligação com o que a gente acredita que faz sentido, mesmo que talvez a gente não perceba. Foi um abraço no meio de muitos abraços que a gente já deu e que a gente ainda dá, às vezes, sem motivo aparente. Mas naquele, a gente existiu junto, numa mesma frequência. Talvez esse ato falho diga muito sobre o que eu acho que amor é.
Um pouco depois, mais uma frase. “O amor não me “leva para o Alto”, nem “para baixo”. Ele é uma proposta existencial: construir um mundo de um ponto de vista descentrado em relação à minha mera pulsão de sobrevivência ou de meu interesse bem compreendido.”. E eu li "desacelerado" no lugar de "descentrado". Esse autor tem opiniões muito parecidas com as minhas, na maioria das vezes; de vez em quando discordamos em uma intensidade que ele tem e eu não, e dessa vez discordamos numa intensidade que eu tenho. Existir "com" você e ter um ponto de vista "descentrado" é, ao mesmo tempo, ponderado e claro, dizendo que o amor são mesmo duas pessoas diferentes vivendo juntas, não se tornando uma pessoa só mas, ao mesmo tempo, não pensando só nelas mesmas. Eu concordo com essa coisa de não se tornar uma pessoa só, principalmente partindo do princípio de que o amor surge da diferença, mas só às vezes, acho que tudo bem existir um no outro. Faz sentido. Já o descentrado é real, é fácil de entender e enxergar. Mas é que na minha cabeça, o amor tem um quê de me desacelerar..
Ser desacelerado me lembra que essa sua última forma que vive em mim não é um furacão. E eu, acostumada com suas cheganças que fazem bagunça, demorei pra te ver assim.. incrível eu ter mesmo demorado pra ver, já que tudo que eu quero é desacelerar. Sempre digo que eu amo em você como eu respiro melhor quando estamos juntos, por isso, provavelmente, pra mim o amor constrói um mundo de um ponto de vista desacelerado (e também, descentrado).
Por último, estava lendo um pedaço em que ele diz que o amor não é uma possibilidade e sim, a superação do impossível: “A superação de uma impossibilidade é que é o começo do amor” exatamente. E tava meio cética, porque não faz muito sentido pela forma que eu vejo. Amor, pra mim, tem que ter um encaixe.. mesmo que às vezes a gente encontre mais diferenças do que outras, eu não acredito que os opostos se atraem (não mesmo!), então ali, o amor começa com uma possibilidade. Mas no meio da explicação dele, ele soltou um "poeta do impossível" e aquelas palavras saltaram do livro pra mim com letras garrafais.. eu tive que parar de ler pra respirar. POETA DO IMPOSSÍVEL. Pra mim, ainda não faz sentido o amor vir da superação de impossibilidades, mas se aquilo me tocou quando eu li, com certeza diz, sobre mim, algo sobre você. Talvez o impossível seja uma hipérbole pro quanto a gente fica motivado quando apaixonado. Esses dias eu até aprendi as regras do futebol americano.. quem sabe não era esse o impossível que ele queria dizer.
As coisas que eu leio sempre vêm pro que eu escrevo, mas de uma forma muito sutil. No máximo uma linhazinha pontuando que "ah, vi esse negocinho aqui e me fez pensar", mas nesse caso, foram muitas as sensações importantes que eu queria te contar.
Freud fala sobre uma coisa que se chama "ato falho". Foi uma das primeiras coisas que eu aprendi sobre psicanálise e é engraçado, porque você começa a realmente reconhecer ele no seu dia-a-dia - mesmo quem não gosta de Freud. Ato falho é um erro no que a gente fala, entende, ou faz, que na verdade não é um erro propriamente dito, é o nosso inconsciente falando.
No meio de um dos capítulos, tinha uma frase assim: “O encontro amoroso é isso: você sai em busca do outro para fazê-lo existir com você, tal como ele é”, e eu li "você sai em busca do outro para fazê-lo existir em você". Eu só percebi que tinha lido errado quando fui, emocionada, ler pra um amigo dizendo "olha essa frase, é incrível". Ela é mesmo incrível pro que eu sinto sobre você.
Um dia desses, a gente se abraçou embaixo dum céu muito estrelado e a gente se demorou muito naquele abraço. Não tinha nenhuma coisa no mundo além da gente naquele momento e aquilo, pra mim, foi existir um no outro. Acredito que as nossas memórias dos fatos têm muita ligação com o que a gente acredita que faz sentido, mesmo que talvez a gente não perceba. Foi um abraço no meio de muitos abraços que a gente já deu e que a gente ainda dá, às vezes, sem motivo aparente. Mas naquele, a gente existiu junto, numa mesma frequência. Talvez esse ato falho diga muito sobre o que eu acho que amor é.
Um pouco depois, mais uma frase. “O amor não me “leva para o Alto”, nem “para baixo”. Ele é uma proposta existencial: construir um mundo de um ponto de vista descentrado em relação à minha mera pulsão de sobrevivência ou de meu interesse bem compreendido.”. E eu li "desacelerado" no lugar de "descentrado". Esse autor tem opiniões muito parecidas com as minhas, na maioria das vezes; de vez em quando discordamos em uma intensidade que ele tem e eu não, e dessa vez discordamos numa intensidade que eu tenho. Existir "com" você e ter um ponto de vista "descentrado" é, ao mesmo tempo, ponderado e claro, dizendo que o amor são mesmo duas pessoas diferentes vivendo juntas, não se tornando uma pessoa só mas, ao mesmo tempo, não pensando só nelas mesmas. Eu concordo com essa coisa de não se tornar uma pessoa só, principalmente partindo do princípio de que o amor surge da diferença, mas só às vezes, acho que tudo bem existir um no outro. Faz sentido. Já o descentrado é real, é fácil de entender e enxergar. Mas é que na minha cabeça, o amor tem um quê de me desacelerar..
Ser desacelerado me lembra que essa sua última forma que vive em mim não é um furacão. E eu, acostumada com suas cheganças que fazem bagunça, demorei pra te ver assim.. incrível eu ter mesmo demorado pra ver, já que tudo que eu quero é desacelerar. Sempre digo que eu amo em você como eu respiro melhor quando estamos juntos, por isso, provavelmente, pra mim o amor constrói um mundo de um ponto de vista desacelerado (e também, descentrado).
Por último, estava lendo um pedaço em que ele diz que o amor não é uma possibilidade e sim, a superação do impossível: “A superação de uma impossibilidade é que é o começo do amor” exatamente. E tava meio cética, porque não faz muito sentido pela forma que eu vejo. Amor, pra mim, tem que ter um encaixe.. mesmo que às vezes a gente encontre mais diferenças do que outras, eu não acredito que os opostos se atraem (não mesmo!), então ali, o amor começa com uma possibilidade. Mas no meio da explicação dele, ele soltou um "poeta do impossível" e aquelas palavras saltaram do livro pra mim com letras garrafais.. eu tive que parar de ler pra respirar. POETA DO IMPOSSÍVEL. Pra mim, ainda não faz sentido o amor vir da superação de impossibilidades, mas se aquilo me tocou quando eu li, com certeza diz, sobre mim, algo sobre você. Talvez o impossível seja uma hipérbole pro quanto a gente fica motivado quando apaixonado. Esses dias eu até aprendi as regras do futebol americano.. quem sabe não era esse o impossível que ele queria dizer.
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