Pra te dar mais que só nome
Sinto uma urgência em te escrever, como se não tivessem passado mais de dois anos. Como se tivesse sido ontem. E talvez tenha sido mesmo.
Parece que eu só posso te amar dentro das minhas regras. Regras malucas que eu não sei de onde vieram. Te amo se te escrevi. Te amo se doeu. Te amo se durou.
Nunca te escrevi, mas fiz doer como quem cutuca uma ferida que não ia nem sangrar, e por isso provoca uma inflamação. Eu fiz doer e durar pra te (me) provar que te amei - e que te amava -, e te fiz sangrar mais do que o dobro do que você sangraria normalmente.
Sinto uma urgência em te escrever, pra finalmente poder te amar direito. Queria colocar outra data nessa carta, pro amor parecer mais de verdade dentro das minhas regras estúpidas. Sinto uma urgência em te escrever como senti em te amar, quando te amei. Urgência que hoje faz muito sentido. Muito mais sentido do que fazia dois anos atrás.
Na urgência de te escrever, tive que parar pra organizar memórias, coisas que eu queria contar com carinho, e me lembrei de quando sonhei que tínhamos terminado e acordei chorando e gritando por você, como um bebê que não entende o mundo. Lembrei que você veio voando pra me acalmar - às vezes chego a acreditar que você atravessou as paredes de casa pra isso. Lembro de como seus olhos faziam sentido e de como você sorria e chorava por eles. Como quando você chorava, meu coração se partia um pouco, verdadeiramente.
E não eram só seus olhos que faziam sentido... tudo em nós fazia sentido. O que não fazia sentido era o que acontecia a nossa volta. E acho que por isso a urgência de viver tudo, de mergulhar, de dar nome, de conhecer família, de te chamar de família. Nós dois sabíamos que ia acabar.
Eu gosto de ter dado nome, e acho que foi a única forma que consegui encontrar naquele momento de te dizer que era importante. Dizer que nosso gosto por jeitos estranhos de comer era especial, que eu nunca imaginaria criar um milhão de gatos com outra pessoa melhor. Que eu nunca me senti tão segura e que você era a melhor pessoa do mundo.
Foi uma pena eu não estar preparada pra amar a melhor pessoa do mundo. Pra amar tranquilo. Pra me sentir confortável estando segura. E na urgência de te (me) provar que te amava, eu não pude te deixar ir. Não completamente.
Eu precisava sentir que nossas manias ainda eram nossas manias, precisava ouvir sua voz me chamando de "linda" e precisava te ouvir rir. Acima de todas as coisas eu precisava da segurança do seu abraço, da naturalidade que nossas mãos se entrelaçavam e precisava que o mundo inteiro soubesse. Gostava tanto de quando nos olhavam sem nenhum susto, mesmo depois de muito tempo, porque éramos eu e você. E eu e você não era novidade, era normal. Era pra ser.
Por mais que muitas vezes eu tenha sentido que nós éramos a mesma pessoa, sempre soube que o fim tinha doído diferente pra nós dois. Era óbvio, porque mesmo a urgência do começo, era uma urgência diferente. E todo o tempo em que eu adiei o fim, eu sabia que isso nos machucava de formas muito diferentes - e mesmo assim deixei machucar.
Quando a gente sentou naquele banco velho e decidiu que finalmente era o fim, por dentro eu torcia pra que a gente mudasse de ideia - como mudamos desde que decidimos pelo fim da primeira vez. E a gente chorou um choro muito verdadeiro e cúmplice, se abraçou (aquele foi um dos momentos em que achei que fôssemos a mesma pessoa) e disse o "eu te amo" mais intenso e sincero que a gente já disse um pro outro. Mas a gente não era a mesma pessoa, porque nosso choro doía diferente, como sempre. E a minha urgência de ser a mesma pessoa naquele momento era porque eu queria que nosso choro doesse igual, porque eu queria te amar igual e queria que coubesse nas minhas regras imbecis pra finalmente me provar que te amava.
Depois de tanto tempo, depois que nosso fim foi realmente um fim e que eu e você juntos - com certeza - seria um espanto pro mundo lá fora, eu ainda tento colocar você nas minhas regras de amor (dá pra ver por isso aqui). E eu finalmente entendo que você não caber nas minhas regras é a coisa mais especial em você. Eu odeio as minhas regras.
Que bom que vivemos nosso "eu e você" urgentemente.
Parece que eu só posso te amar dentro das minhas regras. Regras malucas que eu não sei de onde vieram. Te amo se te escrevi. Te amo se doeu. Te amo se durou.
Nunca te escrevi, mas fiz doer como quem cutuca uma ferida que não ia nem sangrar, e por isso provoca uma inflamação. Eu fiz doer e durar pra te (me) provar que te amei - e que te amava -, e te fiz sangrar mais do que o dobro do que você sangraria normalmente.
Sinto uma urgência em te escrever, pra finalmente poder te amar direito. Queria colocar outra data nessa carta, pro amor parecer mais de verdade dentro das minhas regras estúpidas. Sinto uma urgência em te escrever como senti em te amar, quando te amei. Urgência que hoje faz muito sentido. Muito mais sentido do que fazia dois anos atrás.
Na urgência de te escrever, tive que parar pra organizar memórias, coisas que eu queria contar com carinho, e me lembrei de quando sonhei que tínhamos terminado e acordei chorando e gritando por você, como um bebê que não entende o mundo. Lembrei que você veio voando pra me acalmar - às vezes chego a acreditar que você atravessou as paredes de casa pra isso. Lembro de como seus olhos faziam sentido e de como você sorria e chorava por eles. Como quando você chorava, meu coração se partia um pouco, verdadeiramente.
E não eram só seus olhos que faziam sentido... tudo em nós fazia sentido. O que não fazia sentido era o que acontecia a nossa volta. E acho que por isso a urgência de viver tudo, de mergulhar, de dar nome, de conhecer família, de te chamar de família. Nós dois sabíamos que ia acabar.
Eu gosto de ter dado nome, e acho que foi a única forma que consegui encontrar naquele momento de te dizer que era importante. Dizer que nosso gosto por jeitos estranhos de comer era especial, que eu nunca imaginaria criar um milhão de gatos com outra pessoa melhor. Que eu nunca me senti tão segura e que você era a melhor pessoa do mundo.
Foi uma pena eu não estar preparada pra amar a melhor pessoa do mundo. Pra amar tranquilo. Pra me sentir confortável estando segura. E na urgência de te (me) provar que te amava, eu não pude te deixar ir. Não completamente.
Eu precisava sentir que nossas manias ainda eram nossas manias, precisava ouvir sua voz me chamando de "linda" e precisava te ouvir rir. Acima de todas as coisas eu precisava da segurança do seu abraço, da naturalidade que nossas mãos se entrelaçavam e precisava que o mundo inteiro soubesse. Gostava tanto de quando nos olhavam sem nenhum susto, mesmo depois de muito tempo, porque éramos eu e você. E eu e você não era novidade, era normal. Era pra ser.
Por mais que muitas vezes eu tenha sentido que nós éramos a mesma pessoa, sempre soube que o fim tinha doído diferente pra nós dois. Era óbvio, porque mesmo a urgência do começo, era uma urgência diferente. E todo o tempo em que eu adiei o fim, eu sabia que isso nos machucava de formas muito diferentes - e mesmo assim deixei machucar.
Quando a gente sentou naquele banco velho e decidiu que finalmente era o fim, por dentro eu torcia pra que a gente mudasse de ideia - como mudamos desde que decidimos pelo fim da primeira vez. E a gente chorou um choro muito verdadeiro e cúmplice, se abraçou (aquele foi um dos momentos em que achei que fôssemos a mesma pessoa) e disse o "eu te amo" mais intenso e sincero que a gente já disse um pro outro. Mas a gente não era a mesma pessoa, porque nosso choro doía diferente, como sempre. E a minha urgência de ser a mesma pessoa naquele momento era porque eu queria que nosso choro doesse igual, porque eu queria te amar igual e queria que coubesse nas minhas regras imbecis pra finalmente me provar que te amava.
Depois de tanto tempo, depois que nosso fim foi realmente um fim e que eu e você juntos - com certeza - seria um espanto pro mundo lá fora, eu ainda tento colocar você nas minhas regras de amor (dá pra ver por isso aqui). E eu finalmente entendo que você não caber nas minhas regras é a coisa mais especial em você. Eu odeio as minhas regras.
Que bom que vivemos nosso "eu e você" urgentemente.
Comentários
Postar um comentário