O amor não existe
Você não existir foi a melhor coisa que eu descobri. Não porque você não existir faz com que você automaticamente suma, mas o contrário. Você não existir faz com que você finalmente exista.
Todo esse tempo você era literalmente o meu objeto de pesquisa, e eu fazia teses e mais teses pra defender que finalmente tinha descoberto quem você era. Essas teorias duravam muito pouco, mas não importava, porque o combustível do dia-a-dia era justamente essa procura, e não a verdade absoluta.
Descobrir que você não existe talvez tenha matado um pouco da diversão de procurar respostas sobre como você funciona, que cor é seu cabelo e se você voa ou não. Mas, por outro lado, a sua não existência anula muito da angústia de você nunca caber. De você nunca ser. De eu nunca saber o que poderia ter sabido, se eu fosse melhor.
Você não existir diz que eu nunca posso saber o que não sei. Que alívio. Você não existir, não quer dizer que você não possa existir, quer dizer que você não nasceu. Você nasce, sempre no presente. Não existir te dá o poder de ser construído de inúmeras formas e atender pelo seu nome sempre que duas pessoas concordarem em te batizar assim. Você não bate mais na porta e se apresenta. Eu não abro mais a porta, torço o nariz e penso se você tem cara de amor ou não. Sou eu que a duas (ou na melhor das hipóteses, quatro) mãos, te construo de pouquinho, nesse amaranhado de tantas coisas que podem te fazer.
E diferente do que eu acreditava, o que não existe ocupa muito mais lugar do que o que eu achava que existia. Quando eu achei que te entendia, minhas quatro paredes eram suficientes, um espaço pequenininho, mas você, no ideal, nunca se importaria de ficar sempre juntinho. A verdade é que o ideal não me cabe com você, ou quando cabe, não cabe o outro. E é por isso que sempre escrevi pra você e não pro outro. Aquele outro não cabia aqui.
Agora que você não existe, você precisa que caiba eu, você, o outro e também mais umonte de fantasias que vão te fazer você. E fazer um pouquinho de mim também (não tudo!), e um pouquinho do outro.
Que alívio você não existir, Amor. Agora todas as minhas histórias são de amor. Ou não são. E tanto faz.
Todo esse tempo você era literalmente o meu objeto de pesquisa, e eu fazia teses e mais teses pra defender que finalmente tinha descoberto quem você era. Essas teorias duravam muito pouco, mas não importava, porque o combustível do dia-a-dia era justamente essa procura, e não a verdade absoluta.
Descobrir que você não existe talvez tenha matado um pouco da diversão de procurar respostas sobre como você funciona, que cor é seu cabelo e se você voa ou não. Mas, por outro lado, a sua não existência anula muito da angústia de você nunca caber. De você nunca ser. De eu nunca saber o que poderia ter sabido, se eu fosse melhor.
Você não existir diz que eu nunca posso saber o que não sei. Que alívio. Você não existir, não quer dizer que você não possa existir, quer dizer que você não nasceu. Você nasce, sempre no presente. Não existir te dá o poder de ser construído de inúmeras formas e atender pelo seu nome sempre que duas pessoas concordarem em te batizar assim. Você não bate mais na porta e se apresenta. Eu não abro mais a porta, torço o nariz e penso se você tem cara de amor ou não. Sou eu que a duas (ou na melhor das hipóteses, quatro) mãos, te construo de pouquinho, nesse amaranhado de tantas coisas que podem te fazer.
E diferente do que eu acreditava, o que não existe ocupa muito mais lugar do que o que eu achava que existia. Quando eu achei que te entendia, minhas quatro paredes eram suficientes, um espaço pequenininho, mas você, no ideal, nunca se importaria de ficar sempre juntinho. A verdade é que o ideal não me cabe com você, ou quando cabe, não cabe o outro. E é por isso que sempre escrevi pra você e não pro outro. Aquele outro não cabia aqui.
Agora que você não existe, você precisa que caiba eu, você, o outro e também mais umonte de fantasias que vão te fazer você. E fazer um pouquinho de mim também (não tudo!), e um pouquinho do outro.
Que alívio você não existir, Amor. Agora todas as minhas histórias são de amor. Ou não são. E tanto faz.
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