"gosto de observar o Vegas especialmente quando ele se cala"
Eu é que gosto de falar. Na verdade, acho que eu mais preciso, do que gosto. Sinto que se eu não falar, as palavras vão se acumular na minha garganta, no meu peito e no meu estômago. Uma mistura enorme de letras vão tomar conta do meu corpo e vão impedir que eu seja reconhecida. Eu nunca mais vou ser eu.
Eu preciso falar do que eu sinto, do que eu vejo, do que eu sou. O tempo todo. Mas você, não. Você é no silêncio.
Eu gosto de te observar no seu silêncio porque é por onde você diz. Eu costumava completar o silêncio do outro com as minhas próprias palavras, porque me angustiava aquele vazio do silêncio que não dizia nada. Mas eu não preciso dar sentido ao seu silêncio, porque é nele que você fala.
Eu falo porque eu preciso falar e sempre acreditei que era o único jeito de dizer o que eu precisava que fosse dito. É bonito saber que você consegue dizer de outras maneiras.
Você me diz muita coisa quando vem o tempo todo. Você simplesmente vem e quando vem, você toca. Seu toque declama monólogos que eu amo ouvir, porque seu corpo procura o meu corpo numa vontade que falharia em dizer usando as letras.
Você olha. E é muito difícil que eu perceba porque você não gosta de ser olhado. Mas você pede para que eu não pare de te olhar, como quem encara um incômodo para poder receber o amor do outro.
Eu encararia a angústia do seu silêncio para ser amada por você, se fosse necessário. Mas eu não preciso porque ele não me angustia, ele me conforta. Você se é no seu silêncio como eu sou pela palavra. E você é tanto.
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