Então te encontrei pela terceira vez, mas aquele também não era você

Você disse que me amava com todas as letras, mais uma vez. Parecia que você tinha saído diretamente dum filme bem meloso daqueles que eu amo assistir mil vezes e chorar todas as mil. Você segurou meu rosto, olhou no fundo dos meus olhos e disse aquelas frases decoradas e prontas que a gente fica criando na nossa mente quando tá apaixonada por alguém. Quantas vezes eu mesma sonhei acordada em te ouvir falar aquelas exatas palavras num momento daquele, pós briga, aquela emoção que beira uma novela das oito, dava pra sentir nossa tensão sexual há umas cinco quadras de onde a gente tava. E eu não senti nada.

Não sei como você conseguiu olhar tão fundo nos meus olhos sendo que eles estavam tão perdidos naquele momento. Eu até acho que olhava diretamente pra você, mas eu não te via. Minha cabeça tava em outro lugar, eu só pensava "ok, cadê as minhas falas? Eu não tava preparada, o que eu tenho mesmo que responder?". E ali minha paixão por você morreu.

Tudo que te envolvia parecia que tinha sido tirado diretamente dos meus sonhos mais românticos, de todas as vezes que eu perdi umas horas de sono pra imaginar como seria o homem perfeito e como ele se declararia pra mim. Dessa vez você até veio com um defeito insuportável, porque eu li em algum lugar em algum momento que o amor vinha dessa diferença e que às vezes a gente poderia até odiar quem a gente ama. Veio e foi embora tão do nada que eu não consigo nem duvidar que você foi feito rapidinho numa máquina só pra ver onde é que ia dar.

O que deu é que eu não amo o homem dos meus sonhos. E por ironia do destino (ou propositalmente feito pela tal máquina) você ainda tinha "aquele" nome. Aquele que me lembrou todos os dias que eu te amava mais quando você não cumpria absolutamente nada do que eu queria que cumprisse.

Nem faço ideia do por quê te amo. E acho que se eu soubesse, nem te amaria mais. Quanto mais eu vivo amores de filmes, mais eu quero você. Ou quero qualquer outra pessoa que me lembre você. Que tenha aquela boca e aquele narizinho. Que me faça rir do jeito que você faz. Que venha me olhando daquele jeitinho de quem não quer nada, quando quer tudo. E mesmo quando vem outra pessoa que tem tudo isso, eu consigo achar uma forma de dizer que seu narizinho é, ainda, um pouco mais bonito.

Mas acima de tudo eu quero que você não me queira. Mas não muito. Quero que me queira um pouquinho, mas que não possa ficar. Mas que você tenha um motivo bem convincente pra não ficar pra eu continuar te amando mesmo assim. Tudo bem que ele me trata como se eu não fosse ninguém pra ele, o nosso ângulo na conchinha é diferente de qualquer outro, ele me disse isso uma vez bêbado.

Mas eu não quero ficar presa em você, tá? Eu quero que você veja minha fila andar mesmo sabendo que você se enxerga nos outros melhor do que eu. Antes mesmo de eu perceber que suas orelhas são parecidas, você já tá rindo da minha cara por eu tentar te substituir em vão. Ah, e também quero ficar me envolvendo com umonte de gente nada a ver com você, pra ver se eu finalmente desisto de te amar. Mas acabo te amando mais. Porque ninguém é você. E mesmo que eu diga que gosto do seu narizinho, do jeito que você me faz rir e do ângulo da nossa conchinha... A verdade é que eu não sei por quê eu amo você.

Quem sabe se eu descobrir eu pare de te amar. Mas acho que nem quero.

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