Não sei se preguiçoso ou se covarde

Começo citando Chico, só pra não perder o costume... Pensei que só teria essas duas opções pra explicar o meu sumiço, só que aí, me lembrei de uma desculpa melhor. Eu só te escrevia em meio a lágrimas ou quando estava em sua presença, mas passei um ano sem ti e com lágrimas contidas.
Quando você foi embora, aqui dentro inundou e eu achei que fosse perder todos os móveis e que a casa ia mofar para sempre. Incrivelmente eu dei conta de cuidar de tudo -assim como te prometi-; joguei algumas coisas fora, comprei outras novas, mas a casa não mofou -inclusive está ainda mais bonita- e continua com o cheiro que você gosta.
Passamos por um momento difícil por aqui. Choveu por muito tempo, ficou tudo escuro, meio úmido e pouca coisa floresceu. Mas queria te contar que mesmo antes do mau tempo ir embora completamente, eu já estava sorrindo; até descobri como plantar algumas flores que sobreviviam aos temporais.
Sem que eu estivesse esperando, um dia o sol apareceu, e agora ele aparece todos os dias pelas frestas da janela e assim, fica tudo bem.
Esse é meu resumo de como foi ficar um ano sem você. Te guardei só as partes boas desse tempo porque são essas mesmas partes que eu guardo dos anos que eu te tive. Esse ano foi o momento em que eu mais me tive em toda a minha vida e isso é uma das coisas mais lindas que você me deixou: a vontade de me amar. Te disse tantas vezes, mas repito: de tanto querer ser melhor pra você, fui melhor pra mim de uma forma tão indescritível que hoje você ficaria orgulhoso.
Obrigada por ter vindo, ficado e por ter ido embora da sua melhor forma, amor. Quando você voltar, vai conhecer uma casinha muito mais aconchegante!

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