Sobre dirigir e, ao mesmo tempo, sobre amor

Flora era uma menina que amava muito. Amava seus pais, seus amigos; amava seu gatinho e amava Romeu. Flora também era muito amada, e o amor, às vezes, nos põe numa bolha, com medo que a gente se machuque. Foi o que aconteceu com ela. Flora nunca precisou se esforçar muito para que as coisas funcionassem, assim, se elas não davam certo, ela chorava e se perguntava "por quê?".
Até que um dia, Flora ganhou um fusca azul. Lindo. Ao mesmo tempo que ela queria muito dirigi-lo, queria desistir no primeiro erro que teve. Era muito difícil algo depender apenas dela pra funcionar.
Flora já tinha desistido do ballet, do inglês, do violão.. Todos esses nas primeiras tentativas. Mas ela queria mesmo dirigir seu fusquinha. Seus pais e Romeu tentaram ajudá-la, mas, em um momento, ela percebeu que aquilo realmente só dependia da sua vontade.
Um tempo se passou, Flora estava dirigindo muito melhor que antes e bem confiante. Ela pegou estrada e, por um segundo, perdeu o controle do carro. Rapidamente resolveu a situação, riu e brincou "estava tudo sob controle".
-Que engraçado, menina! A única coisa que dependia apenas de você e você não desistiu, é a única coisa na sua vida que você não se deixa desesperar quando algo errado acontece.-
Naquele momento, Flora começou a olhar diferente para tudo em sua vida, querendo tomar a direção de tudo, como acontecia com seu fusquinha, sem desesperar.
Flora e Romeu não podiam ficar mais juntos, um tempo depois disso.. E foi difícil porque o amor não era como seu fusquinha, o amor tinha dois volantes. Mas ela gostou da ideia de ver no seu dia-a-dia coisas que fariam sentido e que a fariam ficar mais tranquila.
Numa madrugada fria, Flora acordou coberta com sua manta quentinha e com seu gatinho em cima dela. Naquele momento ela sorriu e apenas um pensamento a acalmou: o amor é como seu gatinho, não importa o quanto você se mexa a noite toda, quando ele quer ficar dormindo sobre você, ele fica.

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