Sobre o suéter e aquele perfume

Eu ando passando um tempo infinito com as palavras engasgadas e não conseguindo escrever. Essa é outra diferença que eu vejo em você, amor. Quando não era você me atormentando, eu escrevia sem parar, e agora é uma sensação que me enche o peito e é tão forte que eu demoro a conseguir traduzir.
Fiz uma listinha dos assuntos que eu deveria escrever, tantas coisas acontecendo e eu só queria separar, organizar, pôr tudo para fora e ter a sensação de alívio que eu tenho quando escrevo pra você. Sabe como eu sou né, amor? Eu e minhas listinhas, minhas organizações... mas não deu certo dessa vez.
Eu olhei pra minha cama e estava lá o seu suéter -aquele que você me deu para o frio que poderia vir na viagem-, eu lembrei que você tinha colocado o seu cheirinho nele e sem pensar, corri sentir. Foi uma angústia misturada com um amor muito grande, parecia que meu coração estava enchendo e ia explodir. É, meu bem, nesse tempo todo ao seu lado me senti mais vezes assim do que eu imaginava. Nunca tinha sentido algo parecido.
E aí é que no meio de tudo que aconteceu nos últimos meses e de todas as coisas presas na minha garganta eu só consegui pensar em escrever milhões de palavras -sempre as mais floridas- pra tentar te dizer -e até tentar explicar a mim mesma- por quê seu cheiro, sua presença, sua falta, me enche tanto e me dói tanto de um jeito tão lindo e desesperador.

ela está em todas as coisas, até no vazio que me dá quando vejo a tarde cair e ela não está..

Talvez eu nunca me acostume a ser tão intensa, ou talvez eu já tenha acostumado. Mas é que eu não canso de dizer que naquele verão, quando você bateu na minha porta, entrou, me fez café e cafuné -e melhor, me pediu um cafuné e um cafézinho também- tudo foi extremamente diferente de tudo o que eu imaginava. Todo o meu sofrimento em te procurar escorreu pelo ralo e foi tão confortável. Você chegou, sentou no sofá e explicou quem você era, que entendia que eu tinha esperado muito tempo e que eu tinha errado muitas vezes por isso, mas segurou minha mão e me disse pra esquecer tudo e viver com você, meu amor, que finalmente tinha chegado.
E é, acho que todas as vezes que eu for falar de você eu vou contar a história toda de novo. Mas ela é tão linda.
Só sei que você ficou aqui e está aqui, todos os dias e cada dia mais me mostrando que é muito mais do que eu esperava e muito melhor do que eu imaginava. Me fazendo sentir coisas que eu nunca pensei que sentiria... me sentir abraçada e protegida, me sentir amada. Amada de um jeito tão forte que me faltou ar ao colocar essa palavra no papel.
Já disse e digo outra vez, eu negaria todas as batidas na porta antes de ti e negaria todas as lágrimas derramadas em vão. Mas no fundo da minha casinha eu tenho certeza que se não fosse por isso eu não sentiria tamanha grandeza de tudo isso que vivo hoje.
Me dói o peito e me falta ar. Há muito tempo me disseram que amor não doía -mas eu achava que doía muito-. Hoje eu sei que a dor do amor é esse coraçãozinho apertado, é o peito explodindo, é cada parte do corpo se enchendo de um sentimento inexplicável. Eu posso sofrer e me desesperar às vezes, posso morrer de medo de você sair por aquela porta, mas estou tão orgulhosa de manter ela aberta. E as janelas e qualquer fresta da casa para entrar luz! Eu não posso nem pensar em ficar sem meu amor e eu posso ser dramática ou intensa demais. Mas eu sou com certeza a mocinha mais feliz desse mundo.
Tudo isso desde que o suéter mais cheiroso do mundo abriu a porta da minha casa.
                                          obrigada por ser assim, tão você.

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