Eu tenho um anjo
Com um pouquinho de esforço eu limpei suas migalhas do meu chão. De pouquinho em pouquinho eu fui aprendendo que seus pedaços não iam me fazer sentir completa, e aí, por mais que eles estivessem criando raízes em mim, eu fiz uma grande limpeza e joguei todos para o lado de fora. O problema é que não há incenso que tire seus cheiros daqui. Uns me enojam, uns me trazem boas lembranças e uns... Ah esses que dão pontada no coração, preferia não sentir.
Demorei para saber que não era você batendo na porta, amor... Pois eu sou tão apaixonada, que cada cheiro que sentia, achava que era você. E minha raiva crescia, por você bater na porta tantas vezes e nunca ficar.
É bom entender que não eras tu. Mas dói como se fosse...
"Amo tanto que até dói" devia ser pecado. Meu Deus, isso que chamam de amor devia mesmo doer?
E dói como ácido, que vai corroendo lentamente. Dói como Prometeu, acorrentado numa rocha eternamente tendo seu fígado comido por uma ave.
Não dói só quando você sai pela porta... Dói quando você não aceita meu café e meu cafuné, dói quando você prefere dormir no sofá. Dói quando o dia tá lindo, porque você me acostumou a sempre esperar a tempestade no dia seguinte.
Nunca consegui atender a porta, deitar na cama contigo e ficar na paz. Nunca atendi a porta e a deixei aberta para refrescar. Eu a fecho, tranco, fecho as janelas e cubro as frestas; talvez isso não te deixe confortável aqui dentro. Mas eu só queria que você ficasse por mais tempo, amor.
Sabe meu bem, talvez nem todo mundo sinta a dor que eu sinto com cada batida na porta mesmo que não seja você. Ainda não entendi porque sinto tanto, sinto muito...
Eu era jovem, achava que você vinha me visitar toda a semana e toda a semana doía. Até que você, você mesmo, bateu em minha porta e por trezentos e sessenta e cinco longos dias, aqui dentro ficou um breu.
Eu tenho um anjo e ele disse que não era você; então eu, mesmo com a certeza de que tinha te visto entrar, levantei para abrir as janelas e deixar aquela escuridão ir embora.
Você entrou pela janela.
De mansinho. Aceitou meu café e meu cafuné, até dormiu em minha cama, parecia mesmo que ia ficar. Mas acho que não gostou do ar abafado da casa.
Meu anjo disse que não era você... Eu acho que era.
Ouvi barulhos na porta, abri achando que era você. Dessa vez não era mesmo... Mas quem entrou fez uma grande bagunça, que eu estou ainda tentando arrumar.
Jurei nunca mais abrir a maldita porta. Todas as vezes que te escrevo eu te juro, não é mesmo?
Amor, me perdoe as repetidas palavras, me perdoe as cartas com as mesmas histórias, me perdoe o drama. Todo esse você em mim, não me faz bem.
Amor, se dói tanto não sendo você, nunca, jamais bata em minha porta.
Demorei para saber que não era você batendo na porta, amor... Pois eu sou tão apaixonada, que cada cheiro que sentia, achava que era você. E minha raiva crescia, por você bater na porta tantas vezes e nunca ficar.
É bom entender que não eras tu. Mas dói como se fosse...
"Amo tanto que até dói" devia ser pecado. Meu Deus, isso que chamam de amor devia mesmo doer?
E dói como ácido, que vai corroendo lentamente. Dói como Prometeu, acorrentado numa rocha eternamente tendo seu fígado comido por uma ave.
Não dói só quando você sai pela porta... Dói quando você não aceita meu café e meu cafuné, dói quando você prefere dormir no sofá. Dói quando o dia tá lindo, porque você me acostumou a sempre esperar a tempestade no dia seguinte.
Nunca consegui atender a porta, deitar na cama contigo e ficar na paz. Nunca atendi a porta e a deixei aberta para refrescar. Eu a fecho, tranco, fecho as janelas e cubro as frestas; talvez isso não te deixe confortável aqui dentro. Mas eu só queria que você ficasse por mais tempo, amor.
Sabe meu bem, talvez nem todo mundo sinta a dor que eu sinto com cada batida na porta mesmo que não seja você. Ainda não entendi porque sinto tanto, sinto muito...
Eu era jovem, achava que você vinha me visitar toda a semana e toda a semana doía. Até que você, você mesmo, bateu em minha porta e por trezentos e sessenta e cinco longos dias, aqui dentro ficou um breu.
Eu tenho um anjo e ele disse que não era você; então eu, mesmo com a certeza de que tinha te visto entrar, levantei para abrir as janelas e deixar aquela escuridão ir embora.
Você entrou pela janela.
De mansinho. Aceitou meu café e meu cafuné, até dormiu em minha cama, parecia mesmo que ia ficar. Mas acho que não gostou do ar abafado da casa.
Meu anjo disse que não era você... Eu acho que era.
Ouvi barulhos na porta, abri achando que era você. Dessa vez não era mesmo... Mas quem entrou fez uma grande bagunça, que eu estou ainda tentando arrumar.
Jurei nunca mais abrir a maldita porta. Todas as vezes que te escrevo eu te juro, não é mesmo?
Amor, me perdoe as repetidas palavras, me perdoe as cartas com as mesmas histórias, me perdoe o drama. Todo esse você em mim, não me faz bem.
Amor, se dói tanto não sendo você, nunca, jamais bata em minha porta.
Comentários
Postar um comentário