Ácido

Se eu vomitar, eu curo a dor? A mágoa, o arrependimento, a tristeza e a angústia? É que parece que tem algo aqui dentro que me corrói. Dilacera, machuca, aperta.
"Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar."
Porque ser triste só é bonito na palavra; no livro, na melodia. Ah, aquelas melodias que me fazem sentir tão bem por não sentir sozinha...
O apego me parece brincadeira de mau gosto da esperança. O amor, mascara o verdadeiro "ele". Os sentimentos são brinquedo. E o desapego? Bom, isso eu desconheço.
Cada pessoa tem duas pernas, elas mostram que se pode andar sozinho. Já eu, sou um tripé. Acumulo amor e quando um dói demais, me apoio no que dói de menos, sonhando, um dia, esquecer.
Meu pedido para as velinhas de aniversário se tornou olhar para o amor e não sentir um liquidificador destruindo o que tenho aqui dentro.
Então... Alguém pode me dizer onde vende amor próprio? É que um dia me disseram que eu estava tentando matar minha sede bebendo mágoa.
O que é ser feliz sozinho? O que é ser feliz?
O que é não ter medo da vida? O que é não ter ódio do amor?
E eu alimento involuntariamente um monstro dentro de mim. Por causa dele, eu não sei deixar o amor ir embora de mim, não sei o que é ter mil motivos pra sorrir por aí; por causa dele, eu acho que a felicidade depende do amor e por causa dele sou triste, e me torno cada dia mais apenas carcaça de gente.

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