Coube dentro de um abraço

Doze longos meses de maré alta, doze suspiros de maré baixa.
O meu mar estava calmo, conseguia ir todas as manhãs ver o sol nascer na praia, e nem uma gotinha sequer de água salgada molhava meu corpo. Ele estava lindo, parecia até mais lindo do que antes; era indescritível a sensação de mergulhar na imensidão azul e não me afogar.
Tive tempo de olhar as estrelas, as nuvens, o sol e até os pássaros; mas sempre achei que o mar pareceria maior que tudo, mesmo sabendo que o sol era claramente maior.
Até a primavera eu conhecia o mar como ninguém mais, depois do segundo verão ele era pra mim um punhado de água com sal e mais nada. Era confortável.
Não ia mais assistir ao pôr-do-sol, não sentia mais a areia nos meus pés descalços nem a brisa úmida no meu rosto. Fazia falta, mas o importante é que não doía mais...
Numa manhã, choveu água salgada. E eu, diante de tantos telhados, me deixei molhar. Deitei na areia e me envolvi inteira, mergulhei no mar o mais fundo que consegui; e pela primeira vez, invés do pôr eu vi o nascer. Vi o nascer do sol de dentro das águas cristalinas do meu mar.
Não doeu. Não me afoguei. E nenhuma água salgada que não o pertencia escorreu pelo meu rosto.
O mar coube dentro do meu abraço e não escorreu pelos meus dedos. De manhã eu simplesmente o deixei ir...
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