Queria poder estar escrevendo isso diretamente pra você, mas há alguns fatos que impedem isso de acontecer, então escreverei e você nunca vai ler.
Sempre fui de me "apaixonar"; tudo sempre muito rápido e com fins mais rápidos ainda. Acontece desde que minha memória me permite e isso me faz crer que faz muito tempo. Quando me perguntam o número de meninos nos quais eu já me "apaixonei" eu penso muito, e excluo 99% dos que já me fizeram sentir borboletas no estômago. Penso eu que isso é decorrente desse meu jeito, de me apegar fácil, de ter sempre muitos sentimentos misturados.
O primeiro menino que me fez sentir como numa montanha russa, conseguiu ficar no meu pensamento por quase 1095 dias, 3 anos quase completos, praticamente 26280 horas e eu só estava na segunda série; foi a primeira vez que eu chorei por algum menino. Ele me machucava sabe, era um ano mais velho, irmão da minha melhor amiga, me chamava de criança o tempo todo, e até hoje não lembro de um dia sequer em que ele tenha me tratado bem. Bom, pensando nisso, eu fico mais calma, paro de pensar um pouco que tudo o que eu sinto por você é idiotice, pois se desde meus 7 anos eu gosto de pessoas "platonicamente", por que isso mudaria com meus 15?
Depois dele, viéram inúmeros, mas nenhum deles me fez sentir como eu me sentia aos 7 anos. Que irônico, uma criança se sentir "apaixonada" e passar anos sem conseguir sentir outra vez.
Com 12 anos, me apaixonei pelo único garoto que fez desse sentimento, recíproco. Não digo que valeu à pena, poderia muito bem não ter acontecido, mas pelo menos eu senti, como é gostar de alguém, que gosta de mim. Durou pouco mais de 120 longos dias, e eu fui feliz. Pouco depois disso, meu coração escolheu mais um, e eu levo em conta ele, porque sei o que senti e sei que demorou um pouco pra acabar.
Com 14 primaveras completas, dei meu esperado primeiro beijo, o qual me magoa até hoje, me traz impecilhos, tirou várias lágrimas de mim e não satisfez as minhas expectativas. O tal ósculo, me fez gostar do sujeito, não pelo que ele era, ou é; mas pelo que me trouxe e pelo que eu esperava que seria... Achei que o tal beijo, mudaria a minha vida, e que seria muito mais fácil de achar alguém que sentisse o mesmo que eu sentia. Nesse meio tempo, antes de "você", me lembro de três, que entram facilmente nos 99% excluídos, mas que me fizeram ver que continuava difícil pra mim.
Em maio, provavelmente, chegou sem avisar o sentimento por você, por mais que, mesmo depois daquela chuva, das músicas no msn e do sonho, eu não tinha sentido nada parecido. Eu estranho o jeito como, depois de um tempo, algo surgiu em mim e algo me dizia que podia dar certo.
Daí pra frente, tudo o que já tínhamos "passado", por menor que fosse, passou a ser especial pra mim e eu estava de novo, apaixonada. Coitada de mim que pensei que seria como os outros, coitada de mim que podia jurar que o "platônico" não chegava a ser tão forte assim. Mesmo depois de sms, de poucas ligações e de cumprimentos, na minha face já estava escrito que eu queria você e que eu estava apaixonada.
Dia 27 de junho (sim, eu me lembro o dia), as coisas mudaram e você resolveu não trocar mais nenhuma palavra comigo. O que me acalmava era pensar, que se foi tão fácil pra você, do nada, perder todo o contato, isso queria dizer que eu nunca tive chance e que já era mais do que na hora de esquecer. Não foi aí que eu descobri que era diferente, que finalmente eu estava sentindo o que eu sentira com meus 7 anos, foi há algum tempo depois, quando eu percebi que meses se passaram e eu não havia conseguido esquecer. E todas as pessoas ao meu redor me diziam que passaria, que era coisa da minha cabeça ou pior, que eu ainda tinha esperanças. "Esperança", palavra tão bela que tanto mal faz a quem a cria, onde não deve ser criada. Não culpo as pessoas, eu mesma criei as esperanças e eu mesma não tive coragem de sumir com elas.
Quando eu completei 15 primaveras, às 23h06, meu telefone celular vibrou e eu, prestes a dormir, vi que era uma mensagem e, com sono, li. Nela estavam escritas duas palavras: "Feliz aniversario." (sem acento e com ponto final. Sim, exatamente assim.). Não tive coragem de deletar a tal mensagem, digo eu que ela é importante pra mim, mas na verdade, o conteúdo não é o importante, o importante foi quem a escreveu. Queria só que você pudesse ter visto como eu fiquei feliz ao ler, acho que você também ficaria...
Bem, eu respondi, mas não recebi mais nenhuma palavra escrita por você. Como muito tola sou e me contento com pouco, lia todos os dias a mensagem, e fingia que era de "hoje", de você lembrando de mim outra vez.
Inventei de ir à uma festa, não me lembro de antes, ter me arrumado tanto para sair. Eu sabia que você estaria lá, mas eu não esperava receber nenhuma palavra da sua boca, eu esperava só um olhar trocado, porque me diziam que meu olhar estava mostrando o quão triste eu estava com tudo aquilo. Consegui. Consegui vários olhares trocados, e foi o suficiente para o sentimento que estava pequeno, voltar com toda a força e você aparecer em todos os meus pensamentos.
Um dia qualquer, meu telefone celular tocou. Não era você. A pessoa, toda alegre, disse estar perto de você e, então, eu ouvi sua voz no telefone. Eu estava com saudades... Em poucos segundos acabou, porém, foi o que bastou.
No dia 15 de outubro, eu recebi um abraço seu, e um "Feliz aniversario." bem baixinho, como o da mensagem, vários olhares e até poucas palavras trocadas. Isso já me deixou muito mais feliz, do que eu havia ficado em qualquer hora dos 4 meses passados. Criei as esperanças novamente, e algo fez com que elas ficassem fortes demais. Acho que esse "algo", foi você. Na madrugada do dia 15, você veio se despedir, e meu estômago se encheu de borboletas apenas pelas palavras "já vou". Eu deixei você ir, dizendo palavras como "mas já vai?" porém com vontade de dizer "não vá, fique aqui comigo". Depois disso, sairam da sua boca, algumas das palavras que, nos últimos dias, eu quis mais escutar: "precisamos conversar". Duas palavras que normalmente me levam ao inferno em poucos segundos, me levaram ao céu nos mesmos. As esperanças que eu criara, me disseram que seria bom e que me traria novos sorrisos. Porém, eu nunca soube o que realmente me traria, pois a tal conversa nunca aconteceu. Nunca mais ouvi uma palavra sequer da sua boca, nem uma palavra escrita, nem um toque em seu cabelo e muito menos, um abraço.
Esse não foi o fim, eu gostaria muito que tivesse sido. Me sinto tão tola, tão boba, de sentir tudo isso por tão pouco. Como um coração é capaz de criar tanto, baseado em quase nada?
O que me acalmou, foi a garotinha de 7 anos na minha mente, me dizendo que ela passou por isso tão pequena, e que seria muito fácil de agora eu passar, tão grande. Porém, ela usou a palavra "nós". "Seria muito fácil NÓS PASSARMOS" juntas, ela disse que me ajudaria... Mas eu respondi a ela, que não sabia se era o que eu queria, exatamente, pois chega a ser irônico o modo como de olhar suas fotografias eu sinto algo que me diz para não te esquecer, pois é tão bom quando eu deito no meu travesseiro e você está comigo, nos meus pensamentos. E são nesses pensamentos que "eu" e "você" somos "nós".
Termino essa carta dizendo a mim mesma que vai passar; e dizendo à você que tudo isso são meus sentimentos traduzidos em palavras, só pra você saber... Não importa o que você pense ao ler isso, só... Ah, você não vai mesmo ler.
Me despeço, sem mais delongas, com apenas um "já vou", mas com vontade de ficar e poder te dar um abraço. Espero que você sinta muito por não dar certo...
Com carinho,
Eu.

Linda a carta, e muito azar de quem deixou de ler por ser grande..
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