Saudade

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Dizem que dores psicológicas doem mais que dores físicas.
Se isso for realmente verdade, a saudade é o sentimento mais doloroso do ser-humano.
Existem vários tipos de saudades, mas uma não é menos intensa que a outra, só doem de jeitos diferentes.
Existe a saudade incurável, que é a saudade de uma pessoa que já morreu, porque você mesma não consegue se consolar, você sabe que nunca mais vai poder ver, sentir e falar com a pessoa que perdeu, principalmente se sente que ficou alguma coisa faltando. Essa saudade é o tipo mutante, com o passar do tempo, ela passa a ser uma dor incurável, como se faltasse um pedaço de você, mas quando você para pra pensar, você sorri. É como se você não pudesse mais sentir saudade, como você você não pudesse continuar sofrendo, você esquece das coisas ruins.
Existe também a saudade passageira, essa é a menos dolorosa, no caso com duas intensidades. A primeira é quando você fica por pouco tempo longe e sente aquela pequena falta da pessoa; mas a segunda é quando você vai ficar talvez por muito tempo sem ver, como no caso quando a gente se muda de cidade e fica sem ver os amigos por um tempo maior do que o normal, talvez maior do que costumamos aguentar. O bom é que a primeira intensidade passa, rápido; já a segunda apenas se esconde, porque como diz Clarice Lispector "a saudade é um pouco como fome, só passa quando 'comemos' a presença". Porque passamos muito tempo sem ver e queremos matá-la com 5 minutos de conversa e um abraço, bom, ela não morre.
E por fim existe aquela saudade que podemos passar uma vida inteira, talvez, tentando matá-la. A saudade de algo que nunca tivemos. Essa saudade é como se algo nos faltasse, só que não sabemos o que é, porque nunca tivemos. Alguns dizem que em vidas passadas conhecemos pessoas a as perdemos, podemos levar essa dor pra outras vidas sem saber o que precisamos, até que a gente encontre. Infelizmente, nem todos os tipos de saudades morrem, mas, felizmente as saudades mutam e viram boas lembranças.

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